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Você tem uma vida SUSTENTAVEL?
quarta, 01 de setembro de 2010
INFORMAÇÕES IMPORTANTES SOBRE O ESTRESSE
Por Jonah Lehrer, revista Wired, 10/8/10
Stress é um problema químico. Quando as pessoas se sentem estressadas, um diminuto circuito na base do cérebro provoca a liberação de glucocorticóides, uma família de hormônios do estresse, que coloca o corpo em estado de alerta. Essas moléculas têm esse nome por conta da sua capacidade de aumentar rapidamente os níveis de glicose no sangue, proporcionando músculos com uma explosão de energia. Elas também descontinuam todos os processos corporais não emergenciais, tais como digestão e a resposta imunológica. “Isso é apenas o corpo sendo eficiente”, diz Dr. Robert Sapolsky, pesquisador da Universidade de Stanford, EUA. “Quando você está sendo perseguido por um leão, você não quer desperdiçar recursos no intestino delgado. Você vai ovular numa outra hora. Você precisa de cada gota de energia apenas para fugir”.
Mas os glucocorticóides têm um efeito colateral desagradável: Quando eles permanecem na corrente sangüínea, o dano é cumulativo. É a versão fisiológica de um governo dedicando recursos em demasia para seu Ministério da Defesa, diz Sapolsky. O corpo está tão preocupado com a guerra que não conserta as estradas nem investe nas escolas. Curiosamente, os efeitos do estresse parecem ser particularmente tóxicos para o cérebro. Elizabeth Gould, uma neurocientista da Universidade de Princeton, EUA, é conhecida por demonstrar que o nascimento de novos neurônios – processo conhecido como neurogênese – ocorre no cérebro adulto. Durante os últimos anos, Gould tem estudado a relação entre neurogênese e o estresse em primatas. Ela descobriu que quando o estresse se torna crônico, os neurônios param de investir em si mesmos. O processo de neurogênese então diminui. Os dendritos encolhem. As árvores neurais definham. Essas alterações celulares ajudam a explicar porque, como os pesquisadores observaram, “uma parte grande das mudanças na estrutura do cérebro e função [induzida pelo estresse crônico] têm características semelhantes àquelas observadas em doenças neurodegenerativas, principalmente doença de Alzheimer.” E quanto maior o nível de hormônio do estresse, maior o nível de declínio cognitivo.
Um dos mais inquietantes aspectos desses efeitos do estresse é a forma como eles são transmitidos através das gerações, de pai para filho. Gould demonstrou, por exemplo, que se uma macaca rhesus grávida é forçada a enfrentar situações de estresse, como por exemplo ser assustada por uma buzina estridente, suas crias nascem com redução na neurogênese, mesmo que elas jamais experienciem esse tipo de stress após o nascimento. Esse trauma pré-natal, assim como o trauma sofrido na infância, tem implicações ao longo da vida. Os filhotes de macacos estressadas durante a gravidez têm hipocampos menores, e sofrem de elevados níveis de hormônios de estresse e ansiedade. Ou então vejamos os seres humanos: Um recente estudo descobriu que as pessoas agredidas por seus pais durante a infância mostraram alterações epigenéticas no ADN, algo que alterou os seus genes como foram lidos. As alterações mais proeminentes envolveram genes que codificam receptores para os glucocorticóides, o que levou a uma ampliada resposta ao estresse. O abuso pode ser temporário, mas o dano é permanente, uma ferida que jamais cicatriza.
Mas nem todo ataque de stress é tão devastador. Experimentos mostram que o exercício intenso pode levar à liberação de glucocorticóides. E vejam que o exercício físico ainda é confiavelmente associado a todos os tipos de efeitos positivos para a saúde. Essas anomalias levaram alguns cientistas, incluindo Gould, a procurar as moléculas adicionais no cérebro que possam servir de “amortecedores” à resposta ao estresse. A lista de candidatos de Gould foca nos neuromoduladores, como a dopamina e a oxitocina, que são liberadas quando sentimos prazer. Ela argumenta que esses sentimentos de prazer – a capacidade de encontrar sentido no nosso trabalho, mesmo que seja estressante – podem neutralizar os efeitos tóxicos de glucocorticóides. Essas moléculas podem também explicar porque todos os zeladores não morrem de doença cardíaca quando ainda jovens, e porque as agradáveis formas de exercício nos fazem bem. “Existem importantes diferenças individuais quanto a como as pessoas reagem ao estresse”, diz Gould. “Soldados experienciam muito stress na guerra, mas a maioria deles não padecerá de transtorno de estresse pós-traumático. Qual a explicação para essas diferenças? E como podemos ajudar aquelas pessoas mais vulneráveis? “
COMO REDUZIR O STRESS:
FAÇA AMIZADES! As relações sociais são um poderoso amortecedor contra o estresse. De fato, diversos estudos na Europa e nos EUA descobriram que pessoas com poucos amigos e familiares têm mais probabilidade de ter uma expectativa de vida significativamente menor. (A magnitude do efeito é aproximadamente equivalente a fumar cigarros.) Uma provável explicação para esse fenômeno é o estresse da solidão. Estudos com macacos descobriram que os animais mais socialmente isolados têm níveis mais altos de hormônios do estresse, uma imunidade mais baixa, e uma maior taxa de mortalidade.
DURMA O SUFICIENTE Privação do sono não se trata apenas de sensação de cansaço. Recentes estudos descobriram que mesmo uma única noite de sono insuficiente – seja ela dispendida trabalhando no turno da noite ou jogando vídeo games – dispara um automático aumento dos hormônios do estresse. E é aqui que a biologia fica cruel: Essa resposta ao estresse faz com que se torne ainda mais difícil você pegar no sono na hora que você realmente quer (e precisa), pois seu sistema nervoso simpático está operando numa taxa mais acelerada. O resultado é mais stress e mais insônia, o que ajuda a explicar porque os problemas do sono são fatores de risco tão decisivos para a eclosão da depressão.
NÃO BRIGUE Ao observar os babuínos na África, o biólogo de Stanford Robert Sapolsky descobriu que havia um conjunto de traços de personalidade ligados a menores níveis de hormônios do estresse. Um desses traços era a capacidade de se afastar das provocações que poderiam levar o babuíno a um ataque de furor. Curiosamente, esse tipo de personalidade menos agressiva acabou por ser extremamente eficaz. Os babuínos mais amigáveis e pacíficos mantiveram-se perto do topo da hierarquia da tropa durante cerca de três vezes mais tempo do que aqueles que facilmente sucumbiam a uma provocação para brigar. E esses mais bonzinhos também tinham muito mais relações sexuais, o que é um grande aliviador do stress.
MEDITE Numerosos estudos têm demonstrado que mesmo uma curta sessão de treinamento em meditação pode dramaticamente reduzir os níveis de stress e ansiedade. De fato, um estudo recente conduzido por Sian Beilock, uma psicóloga da Universidade de Chicago, demonstrou que uma aula de 10 minutos de meditação reduziu o estresse em pessoas que estavam se submetendo a difíceis provas de matemática, levando a um aumento de cinco pontos em média. Beilock argumenta que a meditação permite que as pessoas façam um melhor trabalho de não fixação em pensamentos negativos e estressantes, liberando assim espaço no cérebro para se concentrar.
CONFRONTE SEUS MEDOS Quando os pára-quedistas estão aprendendo a saltar, eles experimentam uma enorme resposta ao estresse. De fato, um estudo com pára-quedistas noruegueses apurou que essa resposta começava antes mesmo do salto, e durava até horas mais tarde. Mas algo interessante aconteceu quando os soldados mantiveram-se pulando dos aviões. Em vez de permanecerem estressados por horas a fio, eles apresentaram níveis elevados de hormônio do estresse apenas quando estavam no ar, que é justamente a hora em que o stress é necessário. Ou seja, resposta ao estresse crônico, que causa dano a longo prazo, havia desaparecido.
CONSUMA ÁLCOOL MODERADAMENTE O álcool é um ansiolítico – que derrete as ansiedades, sedando a resposta do sistema nervoso simpático e reduzindo a liberação de hormônios do stress. É por isso que uma cerveja tem um gosto tão bom depois de um longo dia. Mas não se empolgue: Embora o consumo moderado de álcool possa reduzir a resposta ao estresse, os níveis de álcool no sangue acima de 0,1 % – a maioria dos estados dos EUA considera 0,08% o limite legal para dirigir – desencadeiam uma grande liberação de hormônios do estresse. Ou seja, embora você possa sentir-se relaxado de pileque, seu corpo está convencido de que se encontra num estado de perigo mortal.
NÃO SE FORCE DEMAIS NO EXERCÍCIO FÍSICO Se por um lado a atividade física é extremamente eficaz para embotar a resposta do estresse, ao menos por algumas horas, esse efeito só existe se você estiver de fato com vontade de se exercitar. Afinal, uma grande razão pela qual uma sessão de atividade física alivia o stress é que isso melhora o seu humor. Quando os ratos são obrigados a correr num laboratório, os seus níveis de hormônios do estresse dão um salto. Logo, quando você se força a ir à academia para sofrer por 30 minutos na esteira (lamentando a experiência o tempo todo), você não estará reduzindo seus níveis de stress. Na verdade, você poderá estar tornando as coisas ainda piores.
Agradecemos O Instituto Visão Futuro para este artigo.
